Eloi, um sobrevivente

Doc de 8 minutos conta a trajetória do fundador da Flytour, Eloi D’Avila, um homem que tinha tudo para dar errado na vida e ter o coração cheio de mágoa. É meu segundo filme, o primeiro assinando a direção, e foi realizado para integrar o conteúdo do Movimento Empreenda, da Editora Globo. Boa sessão!

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O novo Cairo e a velha Petra

Um dia e meio no Cairo, três mísera horas em Petra. É pouco, mas repórter tem que se virar pra fazer matéria no tempo que há disponível. Aí estão minhas duas últimas contribuições para a Lonely Planet, lá das terras dos faraós e dos nabateus. Uma overdose de pedras, pedregulhos, rochas e rochedos, em todos os tons, formatos e texturas que se possa imaginar.

Por uma nova ordem (sobre como é visitar a capital egípcia em tempos de revolução)

Labirinto das almas (sobre as reminiscências da morte e da vida eterna na cidade de pedra dos nabateus)

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É normal vendedor enganar o cliente para vender plano, me disse a atendente

Este post não tem a menor graça, destoa do conteúdo do blog e não recomendo que ninguém leia. Só vou postar aqui pra ver se isso me ajuda a reaver o que me é de direito.

Pouco tempo atrás, a Claro me convenceu a contratar um pacote com direito a roaming ilimitado para números da Claro e fixo, pelo qual pago uma quantia todo mês. Veio a primeira conta e vi que cobraram todas as ligações interurbanas para fixo, mais de 60 reais ao todo. Reclamei dia 24/01 e prometeram resposta em 5 dias. Hoje, quase um mês depois e já com o celular servindo apenas para receber ligações (por enquanto) – porque não paguei a conta achando que a solução seria rápida e me tratam como o pior dos inadimplentes – me responderam que foi indeferida minha reclamação, mesmo a loja tendo reconhecido que errou ao vender o serviço. Errou porque na verdade se tratava de uma promoção que, àquela altura, já não valia mais. Ou seja, o vendedor da loja do Shopping West Plaza me vendeu algo que não existia mais.

Ou seja, a empresa não se responsabiliza pelos erros dos seus pontos de venda. Pior que isso: ainda tive que ouvir uma atendente sem-noção reconhecer que a culpa é do vendedor que vendeu algo que a empresa não oferece, mas que isso é normal porque pra vender as pessoas fazem de tudo mesmo, já que ganham bônus. Juro por Deus que ela falou isso, deve estar gravado. E ficou insistindo pra desligar o telefone, deixando claro que não podia mais fazer nada e que eu estava tomando o tempo dela.

A história tem inúmeros outros detalhes, intermináveis minutos, horas de ligações. Mas resumindo, a situação atual é que meu celular não funciona e uam nova conta já chegou, com mais uns tantos reais de interurbanos para números fixos pelos quais eu não deveria pegar. Como não há mais o que tentar, vou ao Procon e ao Tribunal de Pequenas Causas ver se eles dão um jeito, fazer o quê? Ver se obrigam a operadora a devolver o que me é de direito e me autorizam a cancelar o contrato sem ter de pagar multa pela tal da fidelidade.

Se alguém da Claro porventura quiser tomar uma providência amigável antes disso, o protocolo é 201228110206 e o número, 11 8799-0109.

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Abrindo o zíper em Israel (não, eu não me dei bem)

Para quem um dia tiver a infelicidade de passar pelo aeroporto Ben Gurion, em Tel Aviv, e ser tratado como ameaça terrorista por jovens paranoicos que parecem ter um prazer sarcástico em acompanhar o crescente desespero alheio, seguem algumas dicas que podem ser úteis.

1. Chegue com muita antecedência.

2. Não desanime se, mesmo chegando com 4 horas de antecedência, você tiver de observar todo mundo fazendo check in e pegando os melhores lugares enquanto os seguranças te enchem o saco.

3. Não se desespere se ficar mais de 2 horas e meia sendo enrolado, e começar a perceber que se a brincadeira não acabar, talvez não dê tempo de embarcar.

4. Leve um gravador e registre nele a primeira batelada de perguntas e respostas, para poder só apertar o play quando outro seguranças fizerem as mesmas perguntas quatro, cinco, dez vezes.

5. Finja que está adorando a conversa fiada do “good cop” encarregado de entretê-lo com questões como “você é formado em quê?”, enquanto os “bad cops” decidem seu futuro, andando com seu passaporte de um lado para o outro e se reunindo com supervisores e supervisores dos supervisores.

6. Resista à tentação de mandá-lo à merda se ele perguntar: mas por que seu editor o mandou para Egito e Jordânia? Ou então: o que você viu em Petra que mais te chamou a atenção? Posso ver suas anotações?

7. Não chute o saco do inspetor quando ele te levar para uma salinha, pedir para você abrir o zíper e passar na sua virilha e bunda um detector de sei lá o quê, doenças venéreas talvez.

8. Não dê risada desse mesmo inspetor quando ele disser: Não fique com má impressão de Israel.

8a. Não dê gargalhada da colega dele quando ela encanar com um livro chamado “The Arabs” na sua mala, pedir para você abrir uma embalagem de chocolate ou perguntar por que você comprou um papiro, enquanto revira cuidadosamente toda a bagagem, cuecas sujas inclusive. De luva, claro.

9. Não xingue de mentirosa a outra inspetora que te acompanha até o portão, para ter certeza de que você vai embarcar, se ela disser que isso é um procedimento normal, ao qual todos são submetidos.

10. Evite arrancar os cabelos se a máquina de raio x cuspir sua bagagem como se fosse um arremessador de bolas de tênis, pondo em risco a câmera fotográfica, iPad etc.

10. Não se desespere, nem se sinta culpado, se seu colega de trabalho fica para trás e você for obrigado a seguir em frente sem saber se ele embarcou ou não.

11. Evite pensar coisas vingativas como “nunca voltarei aqui” ou “tomara que um dia os vizinhos anexem todo esse território e o transformem na Grande Palestina”.

12. Não pense que seu dia será o pior dos últimos 35 anos se, depois disso tudo, você tiver pela frente um dia inteiro a bordo de um Airbus da Iberia, a pior companhia existente desde a falência da Fly, BRA e Transbrasil. Até a Vasp era melhor. Pelo menos tinha comissários de bordo simpáticos e servia cerveja à vontade, fazendo a travessia do Atlântico passar rápido como um voo até Buenos Aires.

Mas da Iberia, falo mal outra hora. Uma coisa de cada vez.

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Indústria de veículos cresce menos em 2011 (esconderam a informação, mas eu achei)

Deu na Folha de hoje:

Apesar de um ano marcado pelo terremoto no Japão -que prejudicou o fornecimento de peças e componentes eletrônicos- e pela crise financeira na Europa, a indústria de veículos mundial se prepara para fechar o ano com um desempenho comercial recorde.

Estudo das consultorias IHS e LMC Automotive estima que as vendas de automóveis e caminhões leves vá terminar o ano com 75 milhões de unidades, alta de 4% em relação a 2010. Crescimento de dois dígitos, como o do ano passado, está descartado.

Quer dizer então que o crescimento no ano passado foi de dois dígitos, neste ano caiu para 4% e os caras escondem essa informação no pé da nota?! De duas, uma. Ou é obra de um foca, sem a devida edição, ou as páginas e páginas de anúncios de montadoras andam influenciando demais o conteúdo. E não adianta dizer que a matéria é do Financial Times e foi apenas republicada, porque era só inverter e colocar o título certo: “Indústria de veículos cresce menos em 2011″. O jornal tem não só o direito, como a obrigação, de fazer isso.

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Mas o cafezinho italiano continua imbatível…

Onde se pode tomar um bom café aqui perto, pergunto após fazer a barba, como se fosse difícil encontrar café bom na Itália. Qualquer posto de gasolina de beira de estrada serve um expresso melhor que o de qualquer padaria de São Paulo, e mais barato. O elegante senhor trajando terno responde de bate-pronto (todo italiano que se preze tem seu “melhor café da cidade”, seja qual for a cidade) e estende o braço com o cartão de visita. Agradeço e me viro para ir embora, mas ele interrompe: “Vou te acompanhar”. Tento argumentar que pode aparecer algum cliente, mas é em vão.

“Me ne fotto”, responde de boca cheia, enfatizando cada palavra e gesticulando com a mão esquerda, antes de colar um “Ritorno subito” na porta da barbearia e chamar o vizinho para avisar que volta logo, caso alguém apareça. Me ne fotto equivale a dane-se, não estou nem aí, de maneira mais vulgar. Uma vulgaridade gentil, no entanto, porque dá a entender que nosso cafezinho vale mais que qualquer serviço perdido.

Este não é um mero relato sobre como os barbeiros são simpáticos na Itália. É o início de uma crônica com pitadas de reportagem que escrevi sobre como os italianos estão lidando com a crise. Para ler o texto completo, basta clicar aqui.

Boa leitura!

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Onde o problema da Perrier são as bolinhas

Num café metido a besta de Pinheiros, uma cliente metida a besta, de chapéu e com uma bolsa enorme combinando com o sapato, pede água e começa o seguinte diálogo:

- Crystal ou Perrier?
- Pode ser Crystal mesmo.
- …
- O preço é o mesmo?
- Não. A Perrier custa 6 reais.
- Hum… Pode ser Crystal mesmo. A Perrier é muito frizante pro meu gosto.

Foi difícil segurar pra não rir da cara dela.

É por essas e outras que a cidade anda tão esnobe e tão cara. Não é só porque as pessoas estão com mais dinheiro na conta, mas porque acham que é feio reconhecer que uma coisa é cara, que um café não pode custar 5 reais, nem uma vaga para carro pode custar 20. Mas vamos dar tempo ao tempo. As pessoas hão de aprender a ser ricas com estilo, e esta há de ser uma cidade boa de se viver, com coisas de bom gosto, mas sem ostentação.

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